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Bravo, Patrick!

Patrick LEGENDAO que lamento com a morte de Patrick Swayze ontem, vítima de um câncer no pâncreas contra o qual lutou por 20 meses, não é a perda de um grande talento interpretativo – apesar de versátil, não era tão expressivo -, mas de um ótimo ser humano e de um exemplo, cada vez mais raro, de astro que soube passar incólume pela embriaguês da fama, mantendo o ego na medida para conciliar a vida pública e a privada sem excessos ou perda de referenciais.

Bem que o noticiário de celebridades tentou encontrar detalhes que desabonassem a imagem de integridade do ator, casado por 34 anos com a mesma mulher, com quem dividia a vida e a sociedade em uma escola de dança (bailarino desde criança, pela dança chegou a Hollywood).

O “bom-mocismo” transbordava pela personalidade de Swayze e talvez isso explique o carisma, que o fazia conquistar o público mesmo em papéis de vilão (também torci por ele como o surfista assaltante de “Caçadores de Emoções”).

Desde o anúncio de sua morte, todos os noticiários televisivos usam imagens dos filmes mais vistos de Swayze para homenageá-lo: “Dirty Dancing” (que o alçou à fama) e “Ghost – Do outro lado da vida” (que o consagrou de vez). Já eu sempre me lembrarei dele por meio de um filme muito pouco festejado e quase nunca lembrado em sua filmografia, “Para Wong Foo, obrigado por tudo, Julie Newmar”.

No filme em questão, Swayze e os também fantásticos atores John Leguizamo e Wesley Snipes envergam saltos altos, quilos de maquiagem, enchimentos e modelitos esvoaçantes para viverem classudas drag queens, que atravessam os Estados Unidos em um conversível com o objetivo de participar de um concurso de beleza numa metrópole. No meio do caminho, porém, o carro quebra em um vilarejo, onde têm que passar alguns dias esperando a peça necessária ao conserto. Claro que o tempo que passam no local muda para sempre a vida daquela comunidade, que aprende muito sobre ludicidade, auto-estima e amizade com as novas “amigas”.

Sempre revejo o filme e a cada revisão me surpreendo com a delicadeza e entrega com que os três atores interpretam seus papéis, tendo Patrick Swayze à frente. Ali sim ele foi um “grande ator”.

Para mim, foi seu melhor papel… no cinema, porque na vida, acho que desincumbiu-se muito bem de todos que assumiu – de bom marido, bom pai e boa pessoa.

Bravo, Patrick!

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