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O cinema e a TV amam Jane Austen

orgulho e preconceito
Cena de Orgulho & Preconceito

Você sabia que “O Diário de Bridget Jones” foi inspirado em “Orgulho e Preconceito” e “As Patricinhas de Beverly Hills” em “Emma“?

Estes são apenas dois exemplos de como as obras da escritora britânica do século 18, Jane Austen, seguem atuais. Mas não os únicos.

Desde 1938, os romances da escritora vêm sendo adaptados para televisão e cinema insistentemente. Só “Orgulho e Preconceito” tem três versões feitas pela TV britânica BBC e cinco para a tela grande, sendo a mais recente de 2005, com Keyra Knightey e Matthew MacFadyen nos papeis principais.

“Razão e Sensibilidade” foi adaptada três vezes para a televisão, também pela BBC, e sua única versão para cinema foi dirigida pelo aclamado diretor taiwanês Ang Lee (“O Segredo de Brokeback Mountain” e “As Aventuras de Pi”). Ainda que o roteiro tenha a assinatura de uma inglesa – a também atriz do filme Emma Thompson -, o fato de um asiático ter traduzido tão bem a essência do romance dessa inglesa é mais uma prova da universalidade de sua obra.

“Emma” tem cinco versões para a TV – não só da BBC – e sua única adaptação para o cinema rendeu uma indicação ao Oscar à atriz Gwineth Paltrow.

“Persuasão” – o meu preferido – teve três versões para a TV e só uma para cinema, mas já foi citado em mais de um filme (“A Casa do Lago” entre eles) como símbolo de um amor maduro, que levanta questões sobre a capacidade do sentimento em resistir ao tempo, à distância e às mudanças interiores que esses fatores causam nos que amam. Talvez por ter sido escrito nos últimos anos de vida de Austen, é o de narrativa mais densa. Explora bastante os aspectos psicológicos de sua protagonista, Anne Price, que já não é uma heroína jovem e casadoira, mas bem uma solteirona.

“Mansfield Park” e “A Abadia de Northanger” são os romances menos populares da escritora, tendo sido por isso pouco adaptados: o primeiro duas vezes para a TV e uma para o cinema (no Brasil sob o título de “Palácio das Ilusões”, que permite-se muitas liberdades com a obra original); e o segundo três vezes só para TV e nenhuma para o cinema.

Talvez explique o fato de “A Abadia…” ser o romance de Austen que mais destoa do perfil do restante de sua obra, com seus toques de suspense e texto ainda irregular. Isso e o fato de ter sido o primeiro romance escrito pela inglesa, apesar de só ter sido publicado após sua morte. Como comentou um personagem do filme “Clube de Leitura de Jane Austen” – comédia romântica de 2007 em que seis personagens debatem as obras de Austen em reuniões mensais -, a autora ainda devia estar tateando por referências de suas escritoras preferidas à procura do próprio estilo.

Encontrou.

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